02/11/2011

Tenha atitude!

REVISTA VOCÊ S/A ONLINE - A maneira como você se posiciona diante dos desafios no trabalho pode ser decisiva na sua carreira. Invista na assertividade

Tudo se embaralhou no mundo corporativo, especialmente conceitos estanques de comportamento de gênero. Não faz muito tempo, homens e mulheres começaram a se revezar nos postos de comando das grandes empresas. Sabe-se, porém, que ambos têm competências, virtudes e, sim, motivos para vacilar diferentes. Como, então, a executiva deve ser mais assertiva para colher mais frutos no trabalho? É uma questão de argumentação, de atitude ou tem a ver com a maneira de se vestir?

Anita Kon, doutora em economia pela Universidade de São Paulo e coordenadora do Grupo de Pesquisas em Economia Industrial, não acredita que para ser assertiva a mulher deve falar grosso. "A capacidade de argumentação e convencimento pode ser, em geral, mais eficiente por meio da fala mansa", diz.

Para Renata Filippi, sócia-diretora da Mariaca, empresa de recrutamento de executivos, a mulher precisa ser focada, ao mesmo tempo em que deve absorver do universo masculino a racionalidade e a busca de resultados. "A flexibilidade feminina para ouvir e entender as necessidades alheias deve ser traduzida em ações", diz Renata. A executiva acredita que, hoje, são regras para poucas: "Já há muitas mulheres em áreas masculinas acostumadas com isso. Veja o caso das engenheiras e das profissionais de logística. Assertividade é com elas mesmas".

Eliana Molina, atualmente diretora sênior de RH da Herbalife, formada em secretariado executivo pela Fundação Getúlio Vargas e MBA Executivo pela FAAP, elencou o que se deve fazer e, principalmente, o que precisa ser evitado em situações bem específicas, Confira:
 

Numa reunião


  • Não monopolize a reunião.
  • Certifique-se de que o fórum seja adequado para fazer os questionamentos ou compartilhar as informações. Se necessário, marque uma nova reunião com participantes específicos para tratar de temas pontuais.
  • Peça a palavra e não interrompa a fala ainda incompleta do outro. Preserve-se ao mesmo direito quando não tiver completado sua fala.
  • Não personifique os problemas. Trate de assuntos, de áreas, e não da pessoa que
  • é o porta-voz.

Numa entrevista de trabalho

  • Evite temas polêmicos, como religião, futebol, política etc., a menos que lhe questionem diretamente e, se isso ocorrer, cuide para que o tema não seja polemizado.
  • Seja fiel às suas convicções e evite dar respostas de acordo com o que você acha que o entrevistador gostaria de ouvir. na maioria das vezes não existem respostas certas ou erradas, mas uma intenção de traçar o perfil do candidato para averiguação de adequação à posição que está sendo postulada.
  • Agradeça a oportunidade de participar do processo e coloque-se à disposição para eventuais informações que sejam necessárias posteriormente.

Numa entrega de feedback

  • Elogie em público e critique em particular.
  • Agende feedback periodicamente (mínimo duas vezes ao ano) para conscientizar e criar oportunidade de melhorias antes de finalizar o processo de avaliação anual. Em outras palavras, não espere chegar o fim do ano para dizer que esperava que o funcionário fosse proativo ou que tivesse trabalhado em projetos no início do ano de forma diferente.
  • Procure tratar de problema de desempenho como oportunidades e necessidades de melhoria. Não é fácil para ninguém receber feedback negativo, então seja cautelosa para não desmotivar, mas sim mostrar claramente onde há chance de melhorar.
  • Sempre que possível, exemplifique com situações que ocorreram — reconhecendo o positivo e pontuando falhas.

Num pedido de aumento

  • Esteja segura de suas responsabilidades, qualificações e práticas salariais do mercado para fazer uma abordagem firme e justa.
  • Procure não se comparar a outro colega de trabalho, pois pode haver diferenças de competências, formação, escopo de função, responsabilidades diferenciadas e méritos individuais. Fale por si e por suas competências.
  • Não blefe.
  • Não pressione seu líder a ponto de deixá-lo sem saída. na maioria das vezes não depende dele aprovar o aumento salarial, e pode ocorrer de ele não conseguir a aprovação, por mais que tente, devido a diferentes momentos pelos quais a empresa passa.

Controle a TPM no trabalho

REVISTA VOCÊ S/A ONLINE - Só uma mulher sabe como é difícil manter os nervos controlados em dias de TPM. É preciso buscar ao máximo equilíbrio — e evitar surtos — para não deixar o ambiente de trabalho impraticável


Pedir para uma executiva assumir que tem tensão pré-menstrual no ambiente de trabalho parece quase assédio moral. Três toparam falar sobre o assunto.

Doreen Hissette é gerente financeira da British Telecom e cuida das contas globais para a América Latina. Precisa garantir as metas atuais da multinacional, o que gera muita tensão em época de virada de orçamento. Ela assume que já teve de se tratar por causa de uma gravíssima crise de TPM. "Eu podia morder o nariz de alguém (risos). Mas hoje me sinto bem mais tranquila. Passar pelo problema ajuda a entender a TPM de outras mulheres, a se pôr no lugar do outro e saber negociar de forma adequada com quem não está num dia bom", diz.

"Já briguei com um pedaço de bacon ao fritá-lo porque ele ia se enrolando por causa do calor. Batia na frigideira e ele não fazia o que eu queria. Hoje dou risada da situação e minha família se diverte com a história." Doreen acredita que as executivas sabem lidar com a TPM, se conhecem e se respeitam, evitando embates mais sérios nesses dias, senão elas não estariam onde estão.

Thaís Helena Martinelli, sócia-diretora da i9Pós, empresa de tecnologia, setor majoritariamente masculino, se diz privilegiada por não sentir os efeitos da TPM. Atenção: registre-se isso entre os que trabalham com ela. "Antes de nascer não passei na fila da TPM. O problema é quando há profissionais que deixam esse ‘período obscuro’ influenciar nas atividades, na execução de projetos, ficando ausentes de reuniões e até mesmo gerando conflitos internos."

Quer dizer então que nos ambientes corporativos mulheres como Thaís já conseguem controlar completamente as emoções, os hormônios e as lágrimas em momentos de tensão extrema? "Vejo que as mulheres estão demonstrando menos suas fraquezas e estão mais preparadas para receber notícias ruins e aceitar feedback mais negativos, mantendo um comportamento racional", acredita Thaís.

Malu França
conviveu em dois ambientes de trabalho bem distintos. Hoje é diretora de relacionamento do Sheraton São Paulo WTC, mas já trabalhou por 20 anos no mercado fonográfico, divulgando artistas nacionais e internacionais. Sempre se saiu bem. Motivo: "não tenho TPM", ou seja, é outra da turma que diz passar longe da crise. Mas dedura as colegas. Ela lembra que conheceu uma moça que chegou a se trancar numa sala e se deitar no chão em um dia de crise, sem condições de trabalhar.

"Isso não pode acontecer, perde-se o andamento do trabalho". Malu assume que, sim, tem um dia do mês que se sente mais fragilizada, mas nada de fazer cena, porque seu diferencial é o bom humor. Ela acredita que, se a TPM for realmente grave, a funcionária tem de ir ao médico e se tratar. "Trabalhei em ambiente mais informal e a tendência era as pessoas se soltarem mais. No mundo corporativo, as mulheres são mais racionais e sabem que é preciso ter postura."

Para a executiva, a mulher tem de se dar ao respeito em ambientes coletivos. Da mesma maneira que o homem, aliás. Na dúvida, se tranque no banheiro, chore baixinho, retoque a maquiagem, volte para sua mesa e finja que nada aconteceu.

25/10/2011

Deu a louca no mercado?


REVISTA VOCÊ S/A ONLINE

Às vezes, tenho a sensação de que as empresas, ao montar o perfil de uma vaga, pensam nas qualidades que o candidato deverá ter para resolver todos os seus problemas, e não apenas aqueles relacionados à vaga. Concordo que os profissionais precisam de uma visão holística, mas não precisa ser igual à do diretor. Tenho experiência em grandes companhias e boa formação escolar e profissional, mas ficam algumas dúvidas: se realmente meu currículo é tão bom como as empresas de recrutamento dizem, se a dificuldade de encontrar bons profissionais está realmente no mercado, que está escasso, e se a exigência das organizações é real, e não exagerada” – Engenheira mecânica de Recife (PE)
“Quando vejo matérias falando sobre a falta de qualificação da mão de obra no Brasil, fica no ar um sentimento de que nós, profissionais, é que não estamos nos qualificando adequadamente. Tenho conversado muito com outros colegas sobre o assunto e percebo que eu e a grande maioria deles temos a mesma visão no que diz respeito a ser profissional versus demanda do mercado. Fica aí a sugestão para uma capa da Você S/A: ‘Você é um canivete suíço?’” - Profissional de TI de São Paulo (SP)
Depoimentos como estes acima têm chegado à redação cada vez mais frequentemente, assinados tanto por leitores que estão empregados quanto por aqueles que buscam recolocação. Eles escrevem compartilhando de uma mesma sensação: a de que, em um momento em que as empresas reclamam que falta gente qualificada, parece que elas estão buscando um perfil que realmente não existe. Do lado dos profissionais, há a desconfiança de que a seleção está sendo feita a partir de critérios descolados da realidade, o que acaba deixando de fora do mercado pessoas com formação e experiência úteis num momento de escassez de mão de obra, em vez de favorecer a entrada de quem está disposto a trabalhar. Por parte das organizações, há a necessidade de acertar rapidamente na contratação, e isso explica em parte os critérios mais rigorosos e a busca de um modelo de profissional perfeito, que não existe na prática, mas serve de gabarito para praticamente todos os níveis. Nossa reportagem de capa investiga as incoerências do mercado de trabalho e as razões para esse aparente descompasso entre a percepção de quem quer trabalhar e a demanda das corporações. O fato é que nunca houve tantos brasileiros empregados quanto agora — são 92 milhões — e há muitas vagas abertas em setores variados. É um momento muito bom para o profissional, mas para aproveitá-lo é preciso que você tenha investido não só no seu currículo. É preciso ter uma história de resultados, uma rede de contatos ativa e bastante noção de quais são seus pontos fortes e o que precisa desenvolver para dar o próximo salto. Quem se mantém atualizado e cuida da reputação tem mais chances de conseguir crescer junto com o país. Continue escrevendo pra gente e compartilhando das suas angústias e das suas conquistas. Boa leitura!

19/10/2011

Idioma estrangeiro vale um bom emprego

REVISTA VOCÊ S/A ONLINE - Os grandes eventos esportivos sediados no Brasil vão demandar profissionais com fluência, principalmente, em inglês, espanhol e francês

Os grandes eventos esportivos sediados no Brasil vão demandar profissionais com fluência, principalmente, em inglês, espanhol e francês. Ainda dá tempo de dominar outra língua e conquistar uma vaga.

Para muitos brasileiros ver de perto nossos atletas sem precisar sair do país será a realização de um grande sonho. E dessa vez, os esportistas não serão os únicos a impulsionar suas carreiras. No caso da Copa de 2014, diversas pesquisas apontam que haverá uma enorme oferta de empregos nas 12 cidades que sediarão o campeonato. E também em municípios localizados em um raio até 150 km dessas capitais, que servirão de subsedes para delegações, imprensa e turistas.
Um estudo feito em parceria entre o Ministério do Esporte e a Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo, apontou qual será o efeito do Mundial na economia do Brasil. Estima-se que sejam criados 600 mil novos postos de trabalho, sendo 300 mil permanentes.

Outra pesquisa ainda mais otimista, realizada pela Ernst & Young com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que o evento tem potencial para gerar 3,6 milhões de empregos. Os setores mais requisitados serão os de construção civil, alimentos e bebidas, serviços de utilidade pública (eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana),TI, turismo e hotelaria. Em conjunto, todas essas áreas deverão ter sua produção aumentada em 50,18 bilhões de reais.
Contudo, para preencher a maioria dessas vagas, o domínio de línguas será fundamental. Segundo Saint-Clair Milesi, gerente de relações com a imprensa do Comitê Organizador da Copa 2014, as contratações já começaram. "É uma operação muito grande, com turistas provenientes de todo o mundo. Portanto, a demanda é por profissionais com fluência em idiomas estrangeiros, principalmente inglês, francês e espanhol - para receber bem nossos vizinhos da América do sul", diz.
Aproveite o tempo que falta até a Copa e ganhe conhecimento a partir das seguintes estratégias:
Turbine seu plano de estudos no exterior*

Nível de conhecimento Nenhum Só falo/ entendo Só leio/escrevo Falo/leio/
escrevo 
- Matricule-se em um curso no Brasil e saia do nível básico 1
- Nas próximas férias, passe um mês estudando no exterior e salte do nível básico para o intermediário
- Continue o curso no Brasil e programe outro intercâmbio nas férias de 2013 para atingir fluência
- Se puder, tire uma licença de 3 meses antes da Copa, estude lá fora e passe do nível intermediário para o fluente
- Matricule-se em um curso no Brasil para reforçar a gramática e o vocabulário
- Nas próximas férias, faça um intercâmbio que misture estudo do idioma com Lifestyle. Invista em seu segmento de atuação (business, marketing, gastronomia, etc) para reforçar expertises e turbinar o CV
- Outra opção é um 1 mês de intercâmbio intensivo, acima de 20 horas semanais, para atingir o nível fluente
- Matricule-se em um curso no Brasil para perder a vergonha de falar
- Neste caso, vivência é primordial: mergulhe na cultura de outro país. Nas próximas férias, faça um intercâmbio intensivo para consolidar o nível intermediário ou já saltar para o fluente
- Escolha um país/cidade com poucos brasileiros para não cair na tentação de falar em português
- Continue o curso no Brasil e programe outro intercâmbio nas férias de 2013
- Quem já domina o idioma deve fazer um intercâmbio que combine programas de estudo e trabalho. Experiências internacionais valorizam o CV
- Invista em cursos de extensão, com duração de 3 a 6 meses
- Essa também é uma boa oportunidade para rever a carreira, se qualificar ou até mudar de área.
*Fonte: Samuel Lloyd, gerente de Marketing do STB

17/10/2011

INFORMAÇÃO

Revista Veja Online

Receita Federal paga nesta segunda o 5º lote de restituição

Trata-se do maior lote de restituição já liberado pelo governo em toda a história

A Receita Federal deposita hoje a restituição do quinto lote do Imposto de Renda Pessoa Física 2011. A Receita também fará os depósitos referentes às restituições dos lotes de 2008, 2009 e 2010 só agora liberados da malha fina. Ao todo, serão liderados cerca de R$ 2,5 bilhões.

O quinto lote de restituição do Imposto de Renda 2011 é o maior já liberado pela Receita Federal. Serão creditadas restituições para 2.656.556 contribuintes, totalizando R$ 2.448.325.168,73, já corrigido em 5,93%. Dos contribuintes do lote, 6.221 tiveram prioridade por estarem protegidos pelo Estatuto do Idoso.

Quanto ao lote residual de 2010, serão creditadas restituições para 24.665 contribuintes, com correção de 16,08%. Com relação ao lote de 2009, 6.491 contribuintes receberão a restituição com correção de 24,54%. Do lote de 2008, serão creditadas restituições para 3.031 contribuintes, com correção de 36,61%.

O dinheiro será depositado na conta bancária informada pelo contribuinte ao fazer a declaração do Imposto de Renda. Caso o depósito não seja feito ou o declarante tenha mudado de conta, é necessário ir a qualquer agência do Banco do Brasil ou ligar para os telefones 4004-0001 (capitais) ou 0800-729-0001 (demais localidades). Deficientes auditivos têm à disposição o número 0800-729-0088 para consulta.

Com o quinto lote de 2011, a Receita Federal praticamente liberou todas as restituições dos contribuintes que enviaram a declaração deste ano dentro do prazo. Nos próximos lotes, com raras exceções, estarão apenas as declarações das pessoas que deixaram a entrega para os dois últimos dias, segundo o supervisor do Programa do Imposto de Renda, Joaquim Adir.

A orientação para quem não entrou em nenhum lote de restituições até agora é acessar o e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte) e verificar se existem pendências. No e-CAC é possível verificar o extrato da declaração e as observações referentes à declaração. Caso exista algum tipo de pendência, o contribuinte deve fazer uma declaração retificadora.

A consulta aos lotes foi liberada no último dia 10 na página da Receita na internet. O contribuinte poderá obter informações também por meio do Receitafone (146). Nos dois casos é preciso informar o número do CPF.

INFORMAÇÃO

Revista Veja Online

Bancários decidem nesta segunda se vão encerrar a greve

Sindicatos da categoria votam o acordo firmado na sexta com a Fenaban

Os sindicatos dos bancários em todo o país decidirão, nesta segunda-feira, se aceitam o acordo firmado na sexta entre a Federação Nacional de Bancos (Fenaban) e representantes da categoria. Caso a proposta seja aprovada nas assembleias, os bancários deverão voltar ao trabalho nesta terça-feira. A greve da categoria teve início em 27 de setembro.
Os sindicatos já foram orientados pelo Comando Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) a aceitar a proposta, que prevê reajuste de 9% dos salários a partir de 1º de setembro de 2011, assegurando aumento real pelo oitavo ano consecutivo. O piso salarial para bancários que exercem função de caixa passa para 1.900 reais, para jornadas de seis horas. Para a função de escriturário, o piso salarial passa para 1.400 reais.
Na Participação dos Lucros e Resultados (PLR), houve aumento da parcela adicional de 1.100 reais para 1.400 reais e do teto da parcela adicional de 2.400 reais para 2.800 reais.
Segundo a Fenaban, os outros benefícios ficam reajustados da seguinte forma: o auxílio refeição sobe para 19,78 reais por dia; a cesta alimentação passa para 339,08 reais por mês, além da 13ª cesta no mesmo valor. O auxílio creche mensal é de 284,85 reais por filho de até 6 anos.

Candidato com experiência

REVISTA VOCÊ S/A ONLINE - Conheça as particularidades dos programas que selecionam profissionais mais maduros

Foi-se o tempo em que candidatos com mais de 25 anos de idade estavam automaticamente cortados das seleções de trainees. Nos últimos cinco anos, empresas dos mais diversos segmentos — engenharia, tecnologia, telecomunicações — têm buscado nos trainees um perfil mais maduro, alguma experiência profissional e, em certos casos, formação acadêmica mais completa, como especializações e até MBAs.

Há dois tipos de programa voltados a essas pessoas de 26 a 35 anos: os chamados trainees executivos — cujo objetivo é a prospecção de líderes — e o jovens talentos, criado para suprir a necessidade das companhias de atrair especialistas para determinadas áreas em que a oferta de profissionais competentes é considerada escassa.

Nos programas de trainee convencionais, a política das empresas é contratar jovens graduados há, no máximo, dois anos, dando formação para que possam assumir postos de liderança após o período de treinamento. A ideia é que o profissional, muito novo, pode ser moldado de acordo com o perfil da companhia e se adapta melhor à estrutura organizacional, já que ingressa sem vícios.

O problema é que o profissional muito jovem nem sempre sai do treinamento apto a assumir um cargo gerencial ou liderar equipes. Em outros casos, passado o treinamento, o jovem resolve dar outro rumo à carreira, o que significa a perda do investimento feito no trainee.

Daí a mudança de foco de algumas companhias, que passaram a admitir também gente com mais de 25 anos. “Como estão mais estabilizados nas funções em que escolheram atuar e têm um planejamento de carreira mais bem delineado, esses candidatos representam um retorno mais garantido para os empregadores e não têm problemas em sair dos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, se as perspectivas de crescimento forem boas”, afirma Renata Schimidt, diretora da Foco Talentos.

A Oi é uma empresa que apostou no programa de trainees executivos – em que os candidatos podem ser formados há até cinco anos, mas precisam ter experiência comprovada como líderes. Cursos de pós-graduação, como MBAs, especializações ou mestrados, são considerados diferenciais. Com duração de dois anos, o programa tem como meta formar novos executivos no curto e médio prazos.

Já nos programas de jovens talentos, como a ideia é formar especialistas, as atividades costumam ser focadas apenas no setor no qual o trainee deverá atuar. O treinamento costuma ser mais curto. Na Nestlé, por exemplo, o programa Jovens nutricionistas tem duração de três meses e é dividido entre treinamento sobre terapia nutricional e estágio para aplicação prática dos conteúdos aprendidos. Mas isso não é regra. Na Mineração Usiminas, os Jovens Engenheiros prevê treinamento de três anos para os profissionais admitidos por meio do programa.

A boa notícia para quem está interessado nesse tipo de processo seletivo é que o número de vagas disponíveis costuma ser muito maior do que em um programa de trainee voltado para cargos de liderança. Enquanto nesse tipo de seleção o número máximo de cadeiras não passa de 30, as vagas para programas de jovens talentos chegam a 80, dependendo do porte e da necessidade da companhia. Além de formação específica na área para a qual o programa está voltado, as características mais valorizadas costumam ser semelhantes às de um processo de trainee comum: habilidade para trabalhar em grupo, flexibilidade, possibilidade de mudança de residência e vivência corporativa como analista.